por Pamela Lima
Na
semana passada fiz um apanhado de informações acerca da campanha do Estadão - aquela do macaco Bruno, sugerindo que não se deve confiar no conteúdo de blogues e afins - e levantei aqui algumas questões que estiveram no palco da discussão semanal entre os engajados no assunto. Concluí que essa polêmica foi só a ponta do iceberg. Há muito que se discutir, de ambas as partes e a quem possa interessar. Fato é que estamos vivendo um novo momento da comunicação, ainda que sem dimensionar suas vantagens e consequências, onde as novas mídias e as diversas ferramentas da internet convergem para objetivos próximos. E para
interesses próximos.
E vejam, que tão é relevante a nossa blogosfera - sua estrutura, seu dinamismo, seu ambiente e as n possibilidades que que essa rede oferece - que há tempos empresas, agências de publicidade, de marketing, e os mais variados tipos de empreendedores se utilizam da publicidade online em blogs para promover ou vender um produto ou serviço.
No mesmo caminho, um número cada vez maior de blogs e blogueiros utilizam as ferramentas mágicas (como o adsense do Google) e as parcerias com empresas precursoras do ramo, em busca do tão sonhado pote no final do arco-íris, da galinha dos ovos ouro, enfim, em busca daquele mal necessário que compra (ou quase compra) a felicidade de muitos: money, dindin, bufunfa, di-nhei-ro.

Existem tipos e
tipos de publicidade online. As parcerias (ou programas de filiações) são os conhecidos anúncios de empresas como as nacionais submarino, buscapé, mercado livre, entre outras, que encontramos navegando de blog em blog, portais e sites diversos. Há também os links patrocinados, uma forma menos chamativa de anúncio, mas muito rentável tanto para empresas quanto para blogueiros e anunciantes. Os principais serviços brasileiros de links patrocinados são
Google Adwords,
Yahoo! Search Marketing, o
UOL Links Patrocinados.O assunto é extenso, e para os interessados não faltam sites e blogs que explicam o
be-a-bá (como neste post do bravus.net) de como ganhar dinheiro com a internet, ou mesmo, depoimento úteis de pessoas - como
Marcelo Tas - que dão dicas para quem quer manter ou dar visibilidade ao blog.
Parece fácil. E é fácil, pelo menos por enquanto.
Sábio ditado "quando a esmola é demais, o santo desconfia", pois é bom já nos prepararmos para a possível regulamentação da publicidade em blogs, que ainda não chegou ao Brasil, mas já está causando polêmica nos EUA e na Europa.
Nesta semana, li no Brainstorming#9 que a Federal Trade Comission (
FTC) está revisando uma série de diretrizes pela primeira vez desde 1980. O objetivo é tentar controlar declarações e inserções a respeito de marcas e de produtos feitas por anunciantes e por usuários. A vigilância se estende também para blogueiros, que poderão ser penalizados e responder a processos pelos seus textos publicados. [Pra variar.]
Outro alvo do orgão americano são as companhias que distribuem amostras grátis de seu produto a blogueiros e internautas que, em contrapartida, postam informações na internet criticando ou aprovando o produto. [E eu que sonhava um dia receber uma amostra do Google, ou quem sabe da Apple ...]
Toda essa preocupação pode ser associada ao aumento expressivo de investimento publicitário nesses meios (via blog, twitter, orkut e demais mídias sociais) que chegou a US$ 1,35 bilhão em 2007 e existe uma previsão de US$ 3,7 bilhões até 2011 segundo dados de
Word of Mouth Marketing Association. Só no Brasil, o i
nvestimento publicitário na internet cresceu 44% em 2008, segundo dados do
IAB.
Acredito que existam maneiras de se controlar esse tipo de publicidade e que, aliás, como tal categoria,
deve ser controlada. Afinal, existem muitas empresas e pessoas mal intencionadas, publicando posts e comentários falsos para promover determinado produto ou serviço. [Dessa eu não sabia, mas por incrível que pareça, tem sim].
Não li nada publicado no CONAR ou nos sites que poderiam tratar melhor do assunto, mas vou acompanhar de perto.
E se você, como eu, mísero blogueiro e reles mortal pretende ou pretendia incrementar seu blog, ou contar com uma renda extra, vale levar em consideração a velha lição ensinada pelas mídias tradicionais (mas nem sempre cumprida): separe bem o conteúdo textual da publicidade, de maneiras que sejam claras para o leitor. Fica a dica.